Palestra - "Interpretação de Guerrilha: guerras, pandemias e novos paradigmas de atuação"
Professora PUC-Rio, advogada e tradutora-intérprete com atuação em contextos interculturais e multilíngues. Com experiência em interpretação em situações de crise/alta complexidade.
Resumo da Palestra
A palestra propõe uma reflexão crítica sobre a atuação de intérpretes em contextos extremos, nos quais as condições ideais de trabalho são substituídas por cenários de urgência, instabilidade e risco. A partir de experiências práticas em fronteiras, aeroportos e ambientes hospitalares, discute-se como a atividade interpretativa se reinventa diante de crises humanitárias, conflitos armados e emergências sanitárias.
Nesses contextos, o intérprete deixa de operar apenas como mediador linguístico para assumir funções ampliadas, que podem envolver tomada de decisão sob pressão, gestão de informação sensível e atuação em ambientes marcados por vulnerabilidade, dor e, frequentemente, ausência de protocolos claros. A chamada “interpretação de guerrilha” emerge, assim, como uma prática adaptativa, marcada pela improvisação, domínio técnico da língua, incluindo resiliência emocional, sensibilidade intercultural, compreensão jurídica e humanitária em situações-limite e pela necessidade de respostas rápidas diante de demandas imprevisíveis.